Histórico da Contaminação no Condomínio
O Condomínio Parque Primavera, localizado no bairro Mansões Santo Antônio, em Campinas, enfrenta uma grave questão ambiental devido à contaminação por substâncias cancerígenas. A origem desse problema remonta à antiga indústria Proquima Produtos Químicos Ltda, que operou na área de 1973 a 1996. Essa fábrica era especializada na recuperação de solventes e na produção de produtos de limpeza, mas, ao longo de suas atividades, descartou resíduos perigosos de forma inadequada, resultando em contaminação extensiva.
Em 25 de outubro de 2001, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) decidiu interditar o empreendimento devido à detecção de compostos tóxicos no solo e nas águas subterrâneas. Desse modo, apenas um dos três blocos do condomínio foi liberado para a habitação, enquanto os outros permanecem fechados e sem uso.
Posicionamento da CETESB
A CETESB continua monitorando a situação de contaminação no Condomínio Parque Primavera e reafirma a presença de substâncias como etanos e etenos clorados, que são altamente voláteis e podem causar câncer. A agência determinou à construtora uma série de medidas e um plano de remediação, que, devido à falência da empresa em 2022, tornou-se complicado de ser implementado.

A permanência da contaminação impede a ocupação dos blocos interditados e gera preocupação contínua entre os proprietários dos apartamentos, que anseiam por uma solução viável. Em abril de 2026, uma nova reunião foi realizada entre os órgãos competentes, mas os resultados ainda são incertos.
Efeitos das Substâncias Cancerígenas
As substâncias presentes na área de contaminação têm propriedades carcinogênicas, levantando preocupações sobre a saúde dos moradores e vizinhos. Embora não haja relatos documentados de doenças diretamente ligadas à contaminação, os moradores estão muito cientes dos riscos potenciais e da durabilidade da crise.
As consequências de viver em um local com riscos de contaminação incluem, mas não se limitam a:
- Ansiedade e preocupação: Os proprietários e moradores sentem medo e insegurança sobre a sua saúde e a de suas famílias.
- Desvalorização dos imóveis: Apartamentos prejudicados pela contaminação apresentam grande desvalorização, dificultando a venda e a locação.
- Impacto psicológico: Rumores e incertezas sobre a contaminação podem afetar a qualidade de vida e o bem-estar emocional dos cidadãos.
Usina de Extração de Gases: Situação Atual
Como parte das medidas para combater a contaminação, em 2014 foi estabelecida uma usina para extração de gases nocivos do subsolo do condomínio. No entanto, o funcionamento do sistema é precário devido à falta de manutenção e aos altos custos envolvidos. Recentemente, a unidade ficou inoperante, uma vez que dois inversores essenciais sofreram danos.
O síndico do condomínio, Itamar Rabanera, relatou que o custo estimado para a conserto e manutenção do sistema é de cerca de R$ 10 mil, quantia que o condomínio não consegue arcar. Isso levanta ainda mais preocupações sobre a segurança e a saúde dos moradores, que dependem dessa infraestrutura para mitigar os efeitos da contaminação.
Realidade dos Blocos Interditados
Os blocos B e C do Condomínio Parque Primavera permanecem interditados há 25 anos, mas curiosamente mantêm uma boa estrutura. As instalações internas, incluindo apartamentos, estão preservadas e em lógicas condições, exceto pela fiação elétrica que foi furtada logo após a interdição em 2001.
Apesar da aparência física dos edifícios, a sensação de abandono e a falta de solução para a contaminação geram descontentamento entre os proprietários. Muitos deles se perguntam como duas torres habitadas estão a apenas alguns passos de distância de blocos que permaneceram abandonados e interditados por tanto tempo.
Impacto Financeiro e Reclamações dos Moradores
Um dos principais problemas enfrentados pelos residentes do bloco A é a carga financeira elevada. O condomínio, em sua totalidade, tem uma taxa mensal que beira R$ 1.000, que é sustentada por apenas 50 apartamentos. Essa situação resulta em um ônus significativo para os moradores, especialmente considerando os serviços e benefícios limitados oferecidos.
Os proprietários expressaram sua indignação sobre a falta de solução e as aparentes contradições na gestão da situação. Enquanto a CETESB e as autoridades ambientais continuam a indicar riscos, outros empreendimentos são autorizados nas proximidades do Parque Primavera, levando a questionamentos sobre a gestão do espaço e a segurança da população.
Responsabilidade da Construtora e Falência
A Concima S.A. Construções Civis foi a responsável pela construção do condomínio e pela criação do projeto que resultou na contaminação. Em 2022, a empresa teve sua falência decretada, o que complicou ainda mais os esforços para a remediação da área contaminada. Sem um responsável claro, a situação se tornou mais desafiadora para os moradores que buscam respostas e soluções.
Ações para Remediação da Área Contaminada
Apesar dos esforços em busca de uma solução, o plano de remediação ainda não foi implementado de forma eficaz. A CETESB exige um novo cronograma de ações, mas a falta de um responsável pela empreitada torna o avanço das etapas de descontaminação incerto. Além disso, associações de moradores vêm tentando pressionar as autoridades locais para que tomem medidas mais eficazes e imediatas.
Perspectivas Futuras para o Condomínio
A situação atual levanta preocupações sobre o futuro do Condomínio Parque Primavera. Os moradores esperam ações concretas e um plano de remediação definido que possa finalmente permitir a ocupação segura dos edifícios interditados. Contudo, a falta de um responsável pela situação financeira da Concima e pela contaminação continua a ser uma barreira desafiadora para as autoridades e os moradores.
O Que Dizem as Autoridades Ambientais
As autoridades ambientais, incluindo a CETESB, informam que continuarão a monitorar a área e a garantir que as ações necessárias para proteger a saúde da população sejam implementadas. Contudo, expressam que o processo de descontaminação exige tempo e planejamento cuidadoso. A CETESB permanece aberta ao diálogo com moradores e instituições, buscando uma solução apropriada para o caso.

