Justiça derruba liminar e retoma proibição de uso de animais em rodeios em Campinas

Decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo

No dia 1º de abril de 2026, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) decidiu, em um julgamento, revogar uma liminar que suspendia dois artigos do Estatuto de Proteção Animal de Campinas, São Paulo. Essa liminar havia sido concedida em setembro de 2025 e resultou na suspensão de dispositivos que proíbiam o uso de animais em rodeios e espetáculos similares, assim como a exibição de animais selvagens em espaço público. Com a decisão, tais proibições voltam a estar em vigor na cidade.

Impacto nas atividades de rodeio

A revogação da liminar implica que os rodeios, eventos que envolvem o uso de animais, estão novamente proibidos na cidade de Campinas. A proibição se estende também a quaisquer eventos que utilizem animais para entretenimento, como circos e similares. Essa decisão gera polarização entre os defensores dos direitos dos animais, que celebram a proibição, e os apoiadores dos rodeios, que defendem que essas práticas são tradicionais e importantes para a cultura local.

O que abrange a proibição

A legislação em questão tem dois artigos principais:

proteção animal em Campinas

  • Proibição do uso de animais em rodeios: Este artigo visa proteger os animais de situações que podem causar sofrimento, incluindo a prática de rodeios, onde há uma forte interação entre humanos e animais em condições desafiadoras.
  • Proibição de exibição de animais selvagens: Este dispositivo diz respeito a banir a exibição de qualquer tipo de animal selvagem em locais públicos, a fim de preservar o bem-estar dos animais e evitar potenciais perigos à população.

Histórico da legislação sobre proteção animal

O Estatuto de Proteção Animal de Campinas foi sancionado em 2017, tendo como objetivo aumentar a proteção e os direitos dos animais no município. Desde então, as regras têm sido alvo de debates legais, especialmente por associações que defendem a utilização de animais em eventos culturais. Antes da liminar de 2025, diversos grupos já tinham levantado questões sobre a constitucionalidade da lei, considerando-a restritiva para eventos que envolvem tradição.

Reação da sociedade e de ativistas

A reação à decisão do TJ-SP foi imediata e polarizada. Os ativistas dos direitos dos animais celebraram a proibição, argumentando que ela é um avanço na proteção à vida animal. Eles destacam que os eventos que colocam os animais em situações adversas são desumanos e não devem ser permitidos.

Por outro lado, defensores dos rodeios e eventos similares participaram de manifestações, alegando que a decisão pode levar ao fechamento de muitas práticas tradicionais e culturais que são parte integrante da comunidade local. Declarações do vereador Arnaldo Salvetti destacaram a preocupação com a responsabilidade do Estado em regular de maneira justa e que não prejudique as tradições locais.

Ações futuras do MDB em Campinas

O MDB, partido político que originou a ação, anunciou que está considerando reapresentar a ação para contestar a lei em um futuro próximo. O vereador Salvetti afirmou que a decisão do tribunal pode ser contestada, uma vez que o diretório estadual do partido, como sugerido pelo TJ, pode ter legitimidade para tal. Ele reafirmou que a questão deve ser discutida em instâncias superiores para encontrar um equilíbrio entre a proteção animal e a cultura local.

Análise da constitucionalidade da lei

Um dos principais argumentos de defesa da liminar era a alegação de que os artigos do Estatuto de Proteção Animal seriam inconstitucionais, uma vez que não versam sobre questões meramente municipais e podem afetar a realização de eventos privados. Essa interpretação foi acolhida pelo TJ-SP no momento da concessão da liminar. Com a revogação, a discussão sobre a constitucionalidade e a abrangência da lei retorna ao centro do debate jurídico.

Possíveis desdobramentos legais

Com a decisão atual, o ambiente jurídico em Campinas pode enfrentar novas contestações. Espera-se que o MDB e outros grupos políticos reavaliem estratégias para se opor à decisão ou, ao contrário, que ativistas pela defesa dos direitos dos animais aumentem suas mobilizações e pressionem por reformas mais rigorosas nas leis de proteção animal.

As próximas etapas podem incluir audiências públicas, protestos e novas iniciativas legislativas que visem estabelecer um novo paradigma sobre como os direitos dos animais e as tradições culturais podem coexistir. A possibilidade de um elevado envolvimento da população nas discussões dá um panorama ativo em torno dos direitos dos animais e a cultura regional.

Diferenças na proteção animal em outras cidades

As normas de proteção animal variam significativamente entre municípios. Algumas cidades brasileiras possuem legislações ainda mais restritivas com relação ao uso de animais em entretenimento, enquanto outras têm regulamentações mais brandas. Por exemplo, em São Paulo, a proibição de eventos com animais selvagens embora vigente, ainda permite que zoológicos e centros de tratamento mantenham atividades com esses animais em contextos controlados.

Esta diversidade regulatória reflete a importância cultural e econômica do entretenimento envolvendo animais em diferentes regiões do Brasil, bem como a crescente consciência sobre o bem-estar animal.

Reflexões sobre o bem-estar animal

A recente decisão em Campinas nos leva a refletir sobre o impacto do uso de animais no entretenimento. As discussões não se resumem a uma simples proibição; elas envolvem questões de cultura, identidade e, acima de tudo, o respeito pela vida animal. O desafio é encontrar um ponto de equilíbrio onde as tradições culturais possam coexistir com práticas que respeitem a integridade física e emocional dos animais.

Esse debate é crucial não somente para a cidade de Campinas, mas para todas as localidades que enfrentam questões similares. A evolução das normas de proteção animal deve ser acompanhada de uma conscientização ampla e inclusiva, que reuna a sociedade em prol do respeito aos direitos dos seres sencientes.